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Inflação ou Deflação

Professor Metafix

Inflação ou Deflação
O dólar, a liquidez internacional e os mercados financeiros.

O banco central americano, o FED, tomou mais uma medida audaciosa. Não alterou a taxa de juros porque não pode oferecer dinheiro a taxas negativas, mas decidiu expandir o próprio balanço para acomodar as necessidades de crédito na economia. Isto equivale a aumentar ativos e passivos emprestando dinheiro a taxas zero em troca de alguma garantia. Na prática, a medida equivale a emprestar dinheiro a juros negativos. Isto é, o tomador não paga juros, mas o banco toma prejuízo.

Os desconfiados protestam porque sabem que o banco não pode criar dinheiro e temem a conta que virá depois, mas se enganam. Para o banco, a questão é outra, ele reconhece que a recessão vai se aprofundando e teme uma deflação mais do que a inflação. O banco também trabalha com a hipótese de que inflação e liquidez moderadas fazem bem aos negócios. Todavia, parece que existe um equivoco em tudo isso. Desde o início tenho dito que o problema não é de liquidez, mas a falta de demanda efetiva e de um endividamento generalizado que chegou ao limite da quebradeira. A economia talvez não precise de mais dinheiro e sim de oportunidades de negócios que paulatinamente se tornam cada vez mais escassa porque os agentes econômicos preferem saldar as dívidas do que se endividar mais num momento de incerteza tão grande. Ora, se o crédito fácil dos programas do governo produziu endividamento e gerou a crise, mais liquidez pode incentivar novos empréstimos sem lastros sustentáveis, por isso o governo joga nos dois times: injeta mais liquidez na economia e incentiva os gasto públicos, uma prática que pode quebrar as pernas.

As sociedades capitalistas têm que aprender a conviver com os ciclos de negócios, pois sem coordenação de politica econômica para a economia mundial, a entropia das atividades econômicas se acumula, gera recessão e inviabiliza uma recuperação rápida por conta própria. É necessário limpar o sistema de todos negócios insustentáveis que foram gerados ao longo das últimas décadas. Agora, acabou-se o sonho do laser-faire da era Bush. Enquanto o setor privado agoniza o estado incha e aos poucos vai penetrando em todas brechas sociais como cera derretida impregnando o odor dos lucros privados. Tudo isso em nome de uma recuperação econômica apressada. O governo que sai não fala mais de economia, e o que entra só fala da crise para poder justificar, entre outras coisas, a enorme injeção de dinheiro que o banco central tenta consumar.

Entretanto, consideremos duas coisas que podem corromper os objetivos do governo de recuperar a economia dentro de um prazo mais curto do que aquele que seria possível sem intervenção estatal. A primeira tem a ver com a disposição da sociedade. O Japão há tempos que promove gastos públicos e pratica taxas de juros baixas tentando estimular a economia, mas os japoneses agem com a flexibilidade de um bambu de raízes profundas, apenas balançam com os ventos mas se mantem imóveis sem abandonar a tradição de consumirem menos do que produzem. Assim, o estímulo econômico vem das exportações para mercados longínquos. A velha história se repete, “não adianta levar o cavalo a fonte se ele não quer beber água”.

Alguns países podem se manter forte economicamente e até crescer utilizando o setor externo como válvula de escape, mas países grandes como a China, Índia, Rússia e Brasil entre outros, especificamente os Estados Unidos, não podem, por causa do limite competitivo e a falta de necessidade para cobrir as importações com as exportações. Neste mister, o tamanho territorial relativo é importante. Os grandes podem manter suas economias menos abertas e crescer estimulando a demanda interna.

As autoridades americanas jogam com a hipótese de que a intervenção estatal encurta o caminho da recuperação sem estímulo externo. Todavia, toda invenção é colante, tende a ficar e gerar desequilíbrios econômico e social com efeitos retardados que explodirão com muito mas força num futuro próximo. Isto é, toda economia necessita de jejum para limpar o mercado das toxinas inevitáveis que foram geradas nos ciclos de negócios. As grandes intervenções podem resolver o problema com efeitos colaterais indesejáveis, ou pode até mesmo prolongar a agonia do paciente.

Entretanto os Estados Unidos tem um agravante benéfico que pode gerar problemas pra os outros se não houver uma coordenação conjunta, pois estão para a economia mundial como o FED está para a economia doméstica. Eles também terão que injetar liquidez no comércio internacional para que os outros países agilizem (sob o pretexto de que necessitam de liquidez) as atividades de importação e exportação. Esse é o cerne da questão pois, como banco dos bancos mundiais, os Estados Unidos não poderão injetar dinheiro no mundo sem obter algumas garantias. Os bancos não tem poder para gerar riqueza, apenas tem a responsabilidade de injetar liquidez no sistema em troca de garantias materiais. Este é o equívoco mais sério que se comete, pois até agora os Estados Unidos alimentavam a economia mundial de liquidez com seus enormes déficits comerciais. O dólar servia de base para as trocas, mas em excesso estimulava a especulação financeira. As autoridades americanas tomavam uma atitude de negligência benigna, na esperança de que o hiato das transações correntes fosse fechado via uma depreciação natural do dólar, mas isto não aconteceu.

Agora a coisa deve tomar outro rumo. Uma arrefeço filosófico pelos liberais e uma pressão para os governos intervirem nos mercado financeiros dominarão o cenário econômico mundial. Paulatinamente, a sustentação do dólar não virá apenas dos superávits dos parceiros comerciais, mas da enorme troca de ativos financeiros entre os bancos centrais. Essa deve ser o toque de uma nova era, pois a demanda por importações no mercado americano, indubitavelmente, não alimentará tanto a economia mundial com dólares como fazia antes da recessão e os governos estão mais cognoscentes da necessidade de regulação.

Isto é sintomático do que pode acontecer com o setor financeiro privado. A troca de ativos financeiros pode aumentar significativamente produzindo um novo surto de swaps que ajudará a sustentar as bolsas de países com as maiores taxas de juros. Entraremos em mais uma ciranda financeira porque todas as medidas terminarão alimentando esse setor com poucos resultados sobre a economia real.

Os agentes econômicos temem se endividar, todos desejam eliminar as dívidas e começar tudo de novo, mas por questões filosóficas não é isso que as autoridades monetárias estão entendendo. É bem verdade que à medida que o governo aumentar a demanda estatal, a economia exigirá financiamentos mas, por ora, o cavalo anda atrás da carreta. Enquanto isso, a economia vai se ajustando por conta própria, já existem sinais de que o nível de poupança privada está aumentando e as dívidas de cartão de crédito estão diminuindo rapidamente.

Resta um consolo do mestre Shakespeare: “Neither a borrower or a lender be, for loan often loses itself and a friend, and dulls the edge of husbandry.” Isto é, “não seja nem devedor nem credor, pois os amigos se perdem com os empréstimos e estes atrapalham a arte de administrar.”

Professor Matafix

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Dercidio Rosa De OLiveira comentou:

obrigado professor metafix , por ter elaborado , um glossá¡rio, muito importante desse , fiquei muito agradecido, pois ajudou-me no trabalho, continue assim com seu genio ,obrigado .
Atenciosamente Dercidio Rosa De Oliveira.


 
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