A importância do Controle Emocional na hora de escolher uma ação Bovespa: análise técnica, como investir na bolsa de valores (Bovespa)

A importância do Controle Emocional na hora de escolher uma ação

Professor Metafix

A importância do Controle Emocional na hora de escolher uma ação

Nas últimas notas publicadas neste site ressaltei a importância de se obedecer a uma metodologia lógica para poder conciliar o conflito mental na hora de decidir e evitar a armadilha que nos transforma em vítimas involuntárias de nossa própria formação biológica. Desde a antiguidade que os filósofos sofistas debatiam os estóicos sobre a verdadeira filosofia, sem considerar a característica biológica que determina dois lados do cérebro humano responsáveis pelas decisões emocionais e racionais.

Marco Aurélio Antonino Pio que, com seu irmão, Pio Antonino Pio, governou o Império Romano com grande habilidade por mais de dezoito anos (180-198 a.d.), deixou um tratado literário muito importante. “Os Pensamentos de Marco Aurélio” é um livro exemplar sobre o que significa ser estóico. Ele demonstrou simplicidade, candura e humildade para um homem de grande valor e poder. A atitude dele e de outros, como Jesse Livermore (mencionado na última nota), é importante para quem especula no mercado financeiro. Por isso, quero traçar alguns comentários sobre o tema que apesar de velho continua relevante e atual.

Durante três anos, enquanto acampava à beira do Danúbio, esperando um ataque por tribos germânicas, Marco Aurélio aproveitou o tempo, sem se preocupar com a glória do poder, para escrever seus pensamentos. A característica marcante dele e dos estóicos era o controle emocional, humildade e coragem de reconhecer as próprias falhas. Lendo os “Pensamentos de Marco Aurélio”, entende-se muito bem porque o estóico preza o controle mental. O domínio da própria pessoa se transforma numa arma de sucesso porque pode conciliar o emocional com o racional.

A idéia do controle emocional está também inserida no pensamento cristão e de outras religiões que apregoam o amor e a força de vontade para vencer o mal. Recentemente, os neurobiólogos tem dado uma nova interpretação para esse fenômeno. Eles atribuem essa dualidade à evolução biológica do homem. Esses estudos são importantes, porque especificamente revelam que a emoção nos leva a fazer coisas que não devemos, e por outro, porque não conseguimos fazer nada sem ela!

"A idéia é reconhecer essa característica para poder doma-la e ao mesmo tempo aproveitar a irracionalidade do mercado para ganhar dinheiro" Tive um amigo, psicólogo, que me dizia que todos nós temos um sabotador que influencia nossas decisões. O individuo que desenvolveu um subconsciente anti riqueza tem um forte sabotador e dificuldades para vencer no mercado. O professor Terry Burnham, autor do livro – “Mean Markets and Lizard Brains”, também argumenta como o mercado é irracional e discute o poder do subconsciente para sabotar nossas decisões. A idéia é reconhecer essa característica para poder doma-la e ao mesmo tempo aproveitar a irracionalidade do mercado para ganhar dinheiro.

Salim Taleb, no famoso livro – Fooled by Randomness – também ressalta a evolução desigual entre os lados do cérebro que controlam as ações emocionais e racionais das pessoas. Segundo Taleb, o ser humano primitivo para sobreviver teve que intensificar o uso da emoção sacrificando a evolução racional. Por exemplo, um caçador primitivo ao se deparar com um animal desconhecido na floresta, concluía, às pressas, para a própria segurança, que o animal era do tipo que comia gente! Esse tipo de comportamento continua sorrateiramente enganando os investidores na selva financeira.

Moro numa cidade muito pequena no centro norte dos Estados Unidos. Aqui só tem duas coisas interessantes para se fazer, alem de caçar e pescar, ir a igreja ou ao bar. Como não sou chegado a primeira, quase todos dias vou ao bar para conversar, tomar um copo de vinho e ouvir os boatos do dia. A discussão de hoje foi sobre a General Motors. Alguns dos fregueses já haviam concluído que as ações da companhia estão baratas. Até a moça, que servia os “drinks”, estava animada para comprar ações da companhia. “Amanhã vou comprar”, disse, olhando pra mim.

Lembrei-me das histórias de trancoso e de onças que ouvia quando criança, lá no interior do nordeste. Aqui, como lá, além de um pensamento uniforme, tiram-se conclusões rápidas de acordo com a emoção do momento. Não há tempo para analisar se os preços da GM estão baixos, ou se a companhia vale realmente mais do que deve. Para os opositores da concordata, a GM é apenas uma massa falida sobrevivendo graças aos interesses políticos do momento. Entretanto, para os que acham que as ações estão baratas jogam com a esperança de que elas vão se valorizar com a recuperação da companhia.

"A questão que todos enfrentamos é de saber se estamos fazendo uma boa decisão com os fatos que dispomos no momento." A questão que todos enfrentamos é de saber se estamos fazendo uma boa decisão com os fatos que dispomos no momento. E, como um bom juiz, que pode condenar um inocente e inocentar um culpado, por falta de dados suficientes, temos que decidir com os dados que temos. A falta de informação acirra o conflito entre o racional e o emocional. É verdade que uma ação que já valeu 90 dólares e hoje (01-06-09), no fechamento do mercado, só valia 81 centavos, está indubitavelmente muito barata. Entretanto, devemos perguntar, seria possível para uma ação que já caiu de 90 dólares para 81 centavos cair ainda mais? Sem maiores informações, o emocional sobrepuja, para todos efeitos, o poder racional e nos leva tanto a boas decisões como aos maus negócios.

Professor Metafix

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