Preço das Ações e o Leilão do Tesouro Americano Análise Técnica Investimentos: análise técnica, como investir na bolsa de valores (Bovespa)

Preço das Ações e o Leilão do Tesouro Americano

Professor Metafix

Preço das Ações e o Leilão do Tesouro Americano O que vem por aí e pode mexer com o preço de suas ações.

Na semana passada escrevi um artigo insinuando que a ganância é uma forma natural do comportamento humano correlacionada com a aversão o risco. Keynes identificou que precisamos de dinheiro para fazer nossas compras, atender as necessidades inesperadas e para especular. Esse último motivo força os agentes econômicos (pessoas e instituições em geral) procurarem investimentos com maior relação rendimento e risco. Os mais aversos ao risco procuram investimentos como títulos da dívida pública porque são mais seguros embora ofereçam rendimentos menores. Existem outros ainda, que embora sabendo que o risco em ações seja maior, preferem essa modalidade porque os rendimentos, em média, são maiores do que em títulos de dívida. E, por fim, existem aqueles que preferem especular com dinheiro de toda “cor!” Estes preferem moedas para se aproveitar do momento porque enxergam grandes oportunidades nos desequilíbrios econômicos entre as nações!

"...será que os leilões vão desviar tanto dinheiro das bolsas para os bônus do tesouro ao ponto de derrubar o preço das ações?" O mercado de moedas é mundial e facilita as trocas de mercadorias entre países e a movimentação de capital entre os agentes econômicos. O mercado de ações é estanque e meio confinado, além de ficar parado a maior parte do turno de negócios. Entretanto, as bolsas estão estreitamente relacionadas com o setor produtivo que o governo tanto procurar energizar. Quanto aos títulos, especificamente os da dívida americana, que agregam os grandes investidores que procuram retornos sem risco, são leiloados esporadicamente conforme as necessidades do tesouro para cobrir os déficits do governo federal.

Pois bem, o dinheiro especulativo corre de um lado pra outro fazendo uma triangulação, ora em ações, ora em títulos da dívida ou em moedas. Atualmente observa-se com enorme curiosidade o esforço do tesouro americano para financiar o déficit público federal sem espremer o setor privado que tanto deseja incentivar. Mas esse efeito é inevitável porque até os pequenos investidores sentem o impacto via os juros no mercado secundário.

O déficit do governo americano vem crescendo e aumentando a dívida (11.4 trilhões de dólares) de forma acelerada com a crise. Para financiar esse déficit (455 bilhões em 2008 e 1.7 trilhão para 2009) o governo tem que leiloar bônus do tesouro com mais frequência. Os leilões são grandes eventos financeiro que atrai muito interesse por causa do efeito sobre as moedas e o mercado de ação. Em abril houve um leilão de 101 bilhões de dólares e nos dias 23, 24, e 25 da próxima semana teremos o maior de toda história. Serão leiloados 104 bilhões de dólares. Considerando o déficit previsto para este ano, podemos imaginar o tamanho dos leilões até o fim do ano! Portanto quem segue o mercado de ações analisando-o com gráficos deve tomar nota desses eventos porque a força de gravidade deles é tão grande que influencia o movimento dos preços das ações, especificamente quando o governo tem que aumentar os dividendos esperados para captar os recursos que precisa.

Na semana passada, houve um leilão relativamente pequeno para repor alguns vencimentos, mas já foi suficiente forte para provocar essa retração na bolsa que presenciamos agora. A tendência acelerada de alta na bolsa desde março já tinha lançado dúvidas sobre a sustentação dela. O leilão jogou uma ducha de água fria na euforia dos especuladores em bolsa e atraiu muitos deles para investimentos mais seguros – bônus do tesouro – que é o normal em tempos de incerteza.

A coisa mais notável, entretanto, a que me referi no último artigo para este site, foram os yields ou dividendos esperados dos bônus de longo prazo que chegaram a alcançar 4.75 por cento a.a. Agora, a expectativa recai sobre o efeito desse mega leilão na próxima semana sobre o preço das ações; especificamente, sobre o impacto dele na bolsa de valores, no dólar e na reação dos investidores com relação aos yields ou dividendos esperados.

Por si só, cada tema ventilado aqui é complexo, mas para quem especula na bolsa ou no mercado de divisas (forex) pode simplificar mantendo em mente a relação inversa entre dividendos e valor de ações quando operando em qualquer um desses segmentos. Acompanhar os preços por meio de gráficos é importante, mas não esclarece certos movimentos e inflexões que podem pegar o aplicador de surpresa. Por enquanto, vamos ver o que poderia acontecer sobre o preço das ações nos Estados Unidos e até mesmo no Brasil.

Como dito, tanto a Bovespa como as bolsas americanas estavam numa trajetória de alta acelerada e começaram a retrair desde a semana passada. Como existe uma relação inversa entre o índice de preço das ações e o retorno nos títulos do governo, podemos imaginar o que pode acontecer num leilão dessa magnitude. Por enquanto, só podemos imaginar, mas pelo menos podemos nos precaver contra movimentos adversos sobre o valor das ações.

"...nessa situação não se deve comprar ações, sobre hipótese alguma..."

Especificamente, devemos fazer a seguinte pergunta: será que os leilões vão desviar tanto dinheiro das bolsas para os bônus do tesouro ao ponto de derrubar o preço das ações? Se tiver esse efeito, com certeza essa retração de baixa, dentro dessa trajetória de alta, vai continuar. Entretanto, como sabemos que a tendência é de alta, e nessa situação não se deve comprar ações, sobre hipótese alguma, podemos relaxar e esperar o fundo da reversão para entrar operando de novo nas compras.

Claro que as implicações para economia mundial e para e recuperação da economia americana são enormes e vão além das nossas preocupações pessoais. Por um lado, seria imprudente discutir todos esses temas dentro desta resenha, mas por outro (de nosso próprio interesse privado) podemos imaginar que se os investidores exigirem dividendos mais elevados é porque já sentem que os juros nominais no mercado secundário vão subir. Isto seria outra ducha de água fria nas pretensões do governo para dinamizar o setor privado.

A tragédia da expansão da divida pública a custos relativamente baratos é que ela nunca é barata. Ao longo dos anos, a abertura do mercado americano para manter o dólar como moeda de troca e de reserva, provocou três efeitos interligados: 1) aumento sem precedência no déficit da balança comercial (exportação menos importação); 2) facilitou o financiamento da dívida pública americana a custos baratos porque os parceiros comerciais acumularam superávit em dólares sem uma alternativa mais agradável para investir e, assim, são “forçados” a comprar bônus do tesouro para manter as reservas rentáveis; e 3) deixou a economia mundial sem uma alternativa por causa da enorme força que a economia americana ainda exerce sobre o resto do mundo. Assim, entramos numa situação paradoxal porque o mundo não tem alternativa viável para substituir o dólar, e os Estados Unidos estão exaurindo todas possibilidades para manter uma recuperação saudável. O resultado inexorável desse paradoxo é o desenvolvimento de um novo paradigma de comércio internacional enquanto fingirmos um pouco mais de que não temos alternativa.

Professor Metafix

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Enzo comentou:

Mestre estamos atento ao cenário provável, gráficos de indices mundiais estão em movimento lateral aguardando definição, vamos acompanhar.


 
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