Aplicação dos Contratos Futuros : análise técnica, como investir na bolsa de valores (Bovespa)

Aplicação dos Contratos Futuros

Aplicação dos Contratos Futuros

Gerenciando o risco de mercado

A operação de hedge ou de proteção pode ser vista como forma de preservar as atividades correntes dos negócios de variação inesperada nos preços. Imagine que você tenha uma dívida em dólares. Qual é seu risco? Sem dúvida, você responderia: uma elevação na taxa de câmbio. De fato, posto que sua dívida está indexada à variação cambial, o risco é sua dívida crescer mais que o valor em reais disponível para seu pagamento. É necessário travar o risco de alta da taxa de câmbio, de modo que sua dívida fique estável. É exatamente isso que o mercado futuro permite.

Suponha que você tenha contraído uma dívida de US$50.000,00, para pagamento em 360 dias, a juros de 4% ao ano. No mercado futuro, a cotação para o contrato com vencimento em um ano está em R$2.893,00/ US$1.000,00. Como você pode realizar sua operação de hedge?

Qual é o conceito de hedge

A operação de hedge é caracterizada como a tomada de uma posição no mercado futuro contrária à posição no mercado a vista. Assim:

A idéia é criar uma posição a futuro do mesmo tamanho da dívida contraída, mas de natureza contrária. Ou seja, para a dívida em câmbio (posição passiva), posição comprada no contrato futuro (posição ativa). Por meio dessa operação, o risco cambial será travado, eliminando o risco de flutuação da taxa de câmbio.

Entendido o conceito de hedge, examinam-se os resultados da operação proposta.

Momento 1

– Valor da operação: US$50.000,00

– Tamanho do contrato na BM&F: US$50.000,00

– Taxa de câmbio do dia: R$2,52/US$1,00

– Taxa de câmbio no mercado futuro para vencimento em 360 dias: R$2.893,00/US$1.000,00

Observação: o contrato futuro de dólar da BM&F é cotado em reais por

US$1.000,00. Logo, a cotação de R$2.893,00/US$1.000,00 equivale a

R$2,893/US$1,00

Primeiro passo: apurar o número de contratos a serem comprados.

Nº de contratos = valor da operação/tamanho do contrato US$50.000,00/US$50.000,00 = 1 contrato

Segundo passo: comprar um contrato para vencimento em 360 dias pelo preço de R$2.893,00/US$1.000,00.

Momento 2 (vencimento do contrato e da dívida)

Cenário 1 (elevação da taxa de câmbio): taxa de câmbio do dia de vencimento = R$2,938/US$1,00

Você aprendeu que, na data de vencimento do contrato, o preço futuro R$2.938,00/US$1.000,00 é igual ao preço a vista.

Valor da dívida na data de vencimento

R$2,938 x US$50.000 = –R$149.900,00

Valor do ajuste no mercado futuro

(2.938,00 – 2.893,00) × 50 × 1= +R$2.250,00

Resultado consolidado

–R$149.900,00 + R$2.250,00 = –R$144.650,00

No resultado consolidado, observa-se que, com a operação de hedge, a taxa de câmbio para a dívida foi fixada em R$2,893/US$1,00, ou seja, a taxa relativa à compra do contrato futuro. Isso pode ser demonstrado como segue:

R$144.650,00/US$50.000 = R$2,893/US$1,00

Cenário 2 (queda da taxa de câmbio): taxa de câmbio do dia do vencimento

= R$2,730/US$1,00

Valor da dívida na data de vencimento

R$2,730 × US$50.000 = –R$136.500,00

Valor do ajuste no mercado futuro

(R$2,730/US$ – R$2.893,00/US$1.000,00) × US$50.000 × 1= –R$8.150,00

Resultado consolidado

–R$136.500,00 + (–R$8.150,00) = –R$144.650,00

No resultado consolidado, observa-se que, com a operação de hedge, a taxa de câmbio para a dívida foi fixada em R$2,893/US$1,00, ou seja, a taxa relativa à compra do contrato futuro. Isso pode ser demonstrado como segue:

R$144.650,00/US$50.000 = R$2,893/US$1,00

Conclusão

Pode-se dizer que, ao realizar o hedge, você prefixou a taxa de câmbio de sua dívida em dólares. O resultado foi obtido independentemente da direção tomada pelos preços futuros.

Gerenciando o risco de base

No caso do produtor que comercializa fora do local de formação de preço do derivativo operado na BM&F, para identificar o diferencial de base entre as duas praças, são necessários o histórico dos preços por ele praticado em sua região e as cotações do mercado futuro em seus respectivos vencimentos.

Supondo que a média encontrada desse diferencial seja de R$1,00, com oscilação entre mais ou menos R$0,20 (desvio-padrão), o produtor deverá considerar que o valor negociado no mercado local será, no pior caso, R$1,20 (base + risco de base) abaixo da cotação negociada em bolsa, conforme o preço estabelecido no início da operação.

Exemplo

Suponha que você produza milho em Campos Novos (SC) e queira proteger o preço de sua próxima colheita no mercado futuro da BM&F, o qual reflete as negociações em Campinas (SP).

Ao fazer um comparativo dos históricos de preço, você observa que o preço em Campos Novos apresenta cotação média de R$1,70/saca abaixo da cotação negociada na BM&F (base), podendo variar em R$0,99/saca para mais ou para menos (risco de base):

Parâmetros

– BM&F vencimento março/07: R$20,00/saca

– Base calculada: –R$/saca1,70, com desvio de ±R$0,99/saca

– Preço de hedge:

. Mínimo: R$20,00 – R$1,70 – R$0,99 = R$17,31/saca

. Máximo: R$20,00 – R$1,70 + R$0,99 = R$19,29/saca

– Preço mínimo gerencial: R$17,31/saca

Destaca-se que o preço de R$17,31/saca seria a pior hipótese a ser considerada, uma vez que esse preço é calculado de acordo com a base média apresentada no histórico e a maior variação negativa em relação à média.

Conclusão

Dessa maneira, ao negociar na BM&F o vencimento março/07 à cotação de R$20,00/saca, você asseguraria um preço, no pior dos casos, de R$17,31/ saca.

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