A Influência do Dólar nos Mercados de Ações Análise Técnica Investimentos: análise técnica, como investir na bolsa de valores (Bovespa)

A Influência do Dólar nos Mercados de Ações

Professor Metafix

O Elo Perdido – A Influência do Dólar nos Mercados de Ações

A semana que passou (20-26/9/09) foi teatral, digna de uma peça de Shakespeare ou de Samuel Becket. Enquanto alguns esperavam por Godot (Becket) outros já sabiam que era tudo uma encenação, muito sobre o nada (Shakespeare). O grande recuo esperado no preço das ações veio em conta gotas e se transformou num movimento lateral de pouco efeito. Aqueles que esperavam um grande recuo pra comprar ações na baixa, devem aguardar mais um pouco ou talvez muito mais; a incerteza sobre uma realização ainda paira sobre todos. Entretanto, como atualmente o mercado está dominado mais pela necessidade da especulação do que de investimentos, podemos ter algumas surpresas nesta semana.

O mercado vive momentos de ondas especulativas tentando ainda recuperar as perdas passadas. As notícias sobre liquidez o afetam tanto que as informações sobre a produção, às vezes, passam sem causar efeitos visíveis. Os "É desagradável para quem procura investir em ação, mas bastante atraente para quem adora especular no curto prazo" agentes econômicos vão vivendo de expectativas. Eles reagem com mais rapidez às notícias sobre políticas que afetam a liquidez do que às necessidades de produção. O momento é de auto afirmação e por isso, tenta-se gerar riqueza do nada independente da realidade econômica. É desagradável para quem procura investir em ação, mas bastante atraente para quem adora especular no curto prazo.

O dólar continua influenciando os preços das ações em praticamente todos os mercados porque a necessidade de especulação é ainda muito forte e exige maior liquidez do sistema. Por exemplo, a queda prolongada da moeda americana desde março foi interrompida nesta semana com as notícias negativas sobre o aumento de liquidez. O efeito sobre as ações americanas, as brasileiras e as demais foi imediato. Isto mostra que as economias ainda estão carentes de dinheiro para agilizar a produção e as trocas internas e externas.

Repetindo um pouco mais, notou-se, em primeiro lugar, que o dólar reagiu negativamente às notícias sobre a economia americana. Em segundo, as notícias de que bancos centrais de outros países e dos Estados Unidos relutam em injetar mais liquidez em suas respectivas economias mudaram o humor do mercado. Até mesmo a notícia de que o governo americano não planeja injetar mais dinheiro na economia, mas que pode até recolher parte dos recursos ainda disponíveis ajudou a puxar o valor da moeda pra cima e das ações pra baixo. Nessas situações, os preços das commodities, especialmente do petróleo, tornam-se mais sensíveis à variação da moeda, e vão reagir com rapidez todas as vezes que o valor do dólar se alterar.

Acredito que a lição seja bem clara, as economias ainda sofrem com a falta de liquidez e reagem às políticas que "Acredito que a lição seja bem clara, as economias ainda sofrem com a falta de liquidez e reagem às políticas que podem afetar a disponibilidade de moeda" podem afetar a disponibilidade de moeda. Perante a pouca liquidez relativa, o dólar volta com toda carga para assumir a liderança. Por outro lado, as empresas estão ociosas e precisam produzir mais. Entretanto, o medo dos bancos em aumentar os empréstimos é grande e incompatível com as necessidades da economia. Os juros ainda estão tão elevados que inviabilizam a maioria dos projetos de expansão da produção.

Lord Keynes dizia que quem governa o mundo são os filósofos defuntos e os escribas mortos. Ele mesmo sabia ganhar dinheiro na bolsa como nenhum outro economista e destacava a liquidez como o elemento mais importante na economia. Sem disponibilidade de moeda não podemos trocar os bens que precisamos, não temos meios para nos precaver contra os riscos e não podemos especular.

Examinemos, com ajuda de gráficos, o efeito do dólar sobre o mercado de ações aqui nos Estados Unidos e sobre o preço do petróleo.

Notem que à medida que o dólar (índice) caía (gráfico acima) o Dow Jones subia. Mas na quarta-feira, tivemos o primeiro dia de aumento no dólar e de queda no Dow Jones nessas últimas semanas. Essa relação inversa, que era tênue e inconsistente antes da crise, mudou. Ela mostra que atualmente os agentes econômicos precisam de liquidez para aproveitar as oportunidades de negócios. Isto mostra também que, quando existe muita incerteza, a necessidade de moeda cresce porque apenas uma parte dela pode ser aplicada, a outra fica como lastro de garantia contra as grandes oscilações.

Finalmente, apresentamos a relação entre o dólar e o preço do petróleo com uma explicação óbvia. Os exportadores de petróleo estão conscientes do efeito do desequilibro entre a oferta e procura sobre o preço do produto. Mas eles também sabem que à medida que os déficits, interno e externo da economia americana, não conseguem cair sem mudanças na política econômica ou intervenção direta do governo, a solução óbvia é a depreciação da moeda. E, ai, o aumento no preço do petróleo se torna inevitável para manter o valor real do produto.

Um aumento nos preços das commodities, que resulta da queda no dólar, representa apenas um acréscimo nominal no valor do produto. O aumento funciona apenas como uma garantia para manter o poder de compra das commodities quando o dólar cai. Enquanto os exportadores se debatem entre manter os preços em termos reais, elevando-os nominalmente quando o dólar cai, os investidores podem aproveitar a oportunidade para lucra com os aumentos nominais comprando ações do setor.

"A entrada e saída do dólar americano no Brasil está dando sustentação a bolsa" No Brasil, o mercado de ações tem uma certa peculiaridade porque deveria se correlacionar inversamente com o Real, mas reage contra o Dólar. A entrada e saída do dólar americano no Brasil está dando sustentação a bolsa e mantendo a liquidez necessária para movimentar as ações. Na próxima nota, tentarei esclarecer essa dinâmica com mais detalhes.

Professor Metafix

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