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A Crise na Europa e o Valor das Ações

Professor Metafix

A Crise na Europa e o Valor das Ações

Segundo a Bíblia"...E as vacas magras ... devoraram as sete vacas ... gordas. (Gênesis 41:1)" , o Faraó do Egito sonhou com sete vacas gordas e sete vacas magras. José interpretou o sonho. Ele aconselhou o faraó para guardar um quinto da produção durante 7 anos de abundância para garantir alimentos durante 7 anos de escassez. Esta é, sem dúvida, a primeira indicação de que ciclos de negócios não é um conceito novo. As medidas recomendadas por José também reconheciam 3 elementos importantes para administração: precaução contra os riscos da produção; necessidade de poupança para se proteger contra flutuações econômicas e o papel do governo para intervir na economia.

Por bem ou por mal, os governos europeus, nas condições atuais, não tem o poder dos faraós e, se tivessem, talvez, não pudessem fazer nada contra uma crise econômica. Nas sociedades democráticas, além de eventos naturais que afetam a produção, as forças políticas e sociais também contribuem para criar e prolongar os ciclos de negócio. As sociedades, assim como pessoas isoladamente, passam por períodos de euforia e consomem mais em tempos bons e não poupam suficiente para contrariar os tempos ruins. A teoria econômica atual considera a poupança como uma virtude pessoal, mas é um vício coletivo que deve ser evitado porque as despesas pessoais de alguns geram renda para outros. Mas esse poder é limitado pelo nível de endividamento que o povo não acredita. Existe uma percepção popular de que os governos tem o poder, para estancar a crise. Mas nem mesmo os faraós tinham esse poder depois dos fatos consumados.

Destarte, as crises econômicas se prolongam, além do necessário, quando, governos endividados, e atualmente todos estão, não tem poder para estimular o consumo e aumentar as despesas a um nível necessário para estancar a onda de desemprego. Corremos o risco de uma recessão a nível mundial porque, além dos governos europeus, todos os outros também estão endividados.

Governantes, para mostrarem que são bons de serviço, procuram atender demandas sociais com recurso emprestados. E, num passado recente, para crescer ainda mais, estimularam tanto o crédito que as dívidas, públicas e privadas, cresceram além da capacidade de serem pagas no curto prazo sem desestimular a atividade econômica, e prejudicar os programas sociais que criaram. Assim, as vacas magras consomem as vacas gordas. A sombra de uma depressão paira sobre o velho continente e ameaça as economias emergentes que dependem daquele mercado.

Como no Egito antigo, as economias passam por dois ciclos; o do endividamento, que corresponde as vacas gordas; e o de pagamentos semelhante ao das vacas magras. O primeiro gera abundância e crescimento, o segundo provoca desemprego e recessão. A solução dada por José do Egito era para se reduzir o consumo em tempos de abundância aumentando a poupança para contrariar os tempos magros. Uma solução simples e lógica, mas difícil para ser implantada em economias de mercado onde, as demandas sociais representam o preço dos votos que elegem os dirigentes.

Há um efeito manada que aprofunda a crise. A pressão é para se gastar mais independente da fase do ciclo. Essa realidade é suficiente para que governos justifiquem politicamente os aumentos de despesas além do equilíbrio necessário.

Portanto, como dinamizar a economia, quando o público e o governo já estão tão endividados que não tem mais crédito? A lógica é implacável; se o crédito fácil foi responsável pelo crescimento econômico recente, o pagamento dos empréstimo tem o efeito inverso. À medida que os credores exigem o dinheiro de volta e dificultam novos empréstimos, o arrojo é inevitável e a economia encolhe. Essa é a situação atual de muitos países europeus. Por exemplo, o representante mais oprimido do grupo é a Grécia. A divida pública dela equivale a 145 por cento do produto nacional! Se em tempos de abundância, ela não conseguia operar sem novos empréstimos, imaginem com um endividamento tão elevado!

Os maiores credores da Grécia são bancos da Alemanha e da França, mas até bancos de países em situação de risco, como os portugueses, tem contas a receber daquele país e de outras economias. A Grécia não é um caso atípico é a penas o mais notável.

Entendendo de onde os bancos conseguiram os recurso para emprestar teremos uma noção da extensão da crise. O dinheiro vem dos depósitos do público em geral (conta corrente e poupança); dos fundos soberanos de diferentes países; de aplicações financeiras de corporações e indivíduos; dos fundos de pensão e recursos dos próprios bancos. Se a Grécia, Itália, Portugal e outros devedores não pagarem as contas, os bancos também não pagarão os clientes e não terão recursos adicionais para novos empréstimos. Isto seria um desastre para os países da comunidade e para os parceiros comercias, como o Brasil.

Na ânsia de ganhar mais, no auge do crescimento, os bancos cometeram dois erros: ultrapassaram a função de provedores de liquidez, e se enveredaram pelos meandros da especulação avarenta, aplicando os recursos de clientes em investimentos de alto risco. Investiram recursos além dos limites de garantias confiando num crescimento mais duradouro. Esqueceram da lição bíblica dos sete anos de vacas magras. Agora não conseguem parar as vacas famintas. E os bancos preferem pastar no público de países em melhores condições, como Alemanha e França, do que aguentar as perdas de curto prazo.

A situação é preocupante para os portadores de ações. Quando os grandes investidores percebem que eventos inevitáveis podem prejudicar a economia, não ficam esperando por momentos alvissareiros. Aproveitam a oportunidade para migrar seus recurso para alternativas mais seguras, embora essas sejam escassas. Sabemos que quando o desemprego cresce, a produção diminui e o consumo e os lucros seguem o mesmo caminho. E ninguém vai investir em negócios que não produz lucros. Nesta situação, a demanda por ações diminui porque os investidores correm para outros ativos. Infelizmente, estamos diante de uma crise sistêmica. Ela tem uma força tal qual um buraco negro; poucos escapam dos prejuízos.

Não podemos previr o futuro e não temos certeza se o preço das ações vão cair ou subir. Mas quando estamos perdidos numa floresta não temos tempo para examinar se a fera que encontramos é do tipo que come gente ou é apenas um dócil animal desconhecido. Assim, também não podemos ignorar os fatos. Estes são velhos e não há nada novo para contraria a lógica da situação.

Enquanto a economia americana se recupera lentamente, a situação europeia é bastante preocupante para quem investe em ações em qualquer lugar do mundo. Ela aponta para três alternativas, todas nocivas ao mercado de ações exceto uma, a inflação. A primeira e, mais drástica, de efeito imediato, seria uma corrida aos bancos. Segundo, uma decisão unilateral de um desses países de não honrar as dívidas. Terceiro, o banco central poderia socorrer os bancos com mais dinheiro e comprar mais bônus dos países endividados. Isso seria equivalente a monetizar a dívida o que provocaria inflação.

Entretanto, esta última tentativa em parte já foi feita. Os bancos tomaram emprestado dos banco central pagando juros de 0,75%, mas emprestaram o dinheiro de volta ao mesmo banco a juros de 0.25%. Estranha operação, mas perante os riscos e o desânimo do setor produtivo, os bancos preferem pagar a diferença de 0,50% do que ficar sem liquidez!

Por fim, resta o banco central aumentar a liquidez emprestando mais aos bancos e diretamente os países endividados. Isto provocaria uma inflação generalizada. Muitos economistas alegam que isso seria muito ruim, mas em todas crises do capitalismo ela foi a solução. Inflação está para crise do capitalismo assim como quimioterapia está para o câncer, deixa o paciente miserável, mas cura a doença. Isso seria bom para as ações e beneficiaria até a economia brasileira. Boa sorte!

Prof. Metafix

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