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A Crise Econômica Atual

Professor Metafix

A Crise Econômica Atual

             Dizem que os chineses definem crise com dois caracteres, perigo e oportunidade. Em escrever sobre a crise econômica atual o autor corre muito risco e pouca oportunidade de apresentar algo concreto para o leitor. Dito isto, e sem querer contrariar a verdade chinesa, proponho alguns considerações sobre a crise econômica mundial. Aqueles que operam as bolsas de valores ou compram e vendem instrumentos financeiros, como ações, moedas, títulos de dívida e derivados como índice e opções, devem entender esta crise para identificar os riscos e as oportunidades nos negócios.

            Podemos definir a crise atual como uma falta de visão e meios para se fazer o que deve ser feito pra melhorar o bem-estar de toda humanidade. Falo de humanidade sem nenhum ufanismo ou exagero porque a crise é global, mas temos que aproveitar as oportunidades locais. Até recentemente algumas economias iam muito bem enquanto outras andavam muito mal. Agora a crise atinge todos, mas ainda restam boas oportunidades nos negócios.

            O processo econômico era montado para levar vantagens. A tônica era o lucro a qualquer custo. Isto ainda existe e continuará, mas estamos nos aproximando de um novo paradigma. A presença da exploração ainda continuará internamente em muitos países, mas agora pode-se ver com clareza que isso é mais difícil porque as economias estão tão interligadas que só podem crescer juntas. Infelizmente, esta consciência ainda levará tempo para se manifestar nas políticas econômicas com força necessária para provocar uma fusão de idéias, e de alinhamento financeiro entre as economias e, quiçá, diminuir todo tipo de vantagens concedidas ao capital financeiro que persistiu até agora.

            As crises econômicas sempre foram manifestações, às vezes sutis, de lutas pela distribuição de renda. Antes da abertura do comércio internacional, essas lutas eram contidas dentro da fronteira dessa ou daquela economia. Não havia manifestação que ultrapasse os limites locais, apenas leve ecos de revisões políticas vindo dos países mais ricos, para que as economias afetadas modificassem as regras, e permitissem maior participação dos alienados do centro de poder. É isto que estamos experimentando de forma violenta em alguns países por falta de mecanismo de transição pacífica.

            Entretanto, a grande crise e a que está mais próxima do sistema financeiro é a do endividamento dos estados. Vejamos alguns exemplos. Os Estados Unidos, apesar de ser um bloco mais uniforme tem enormes dificuldades para colocar a economia nos trilhos do crescimento porque não podem conter as despesas sem uma reforma fiscal; e não conseguem isso porque os opositores, em defesa de suas riquezas, desejam um enxugamento das contas publicas. Mas o estado já avançou tanto sobre a economia que, qualquer corte de despesas, mesmo com uma reforma fiscal profunda não será suficiente para revigorar a economia porque a maioria das despesas são incomprimíveis. Para diminuir terão que passar por um processo inflacionário que reduza os benefícios a um nível compatível com o tamanho do estado. A Grécia é uma pequena janela do que pode acontecer até com as maiores economias porque todas esticarem o nível de despesas sem gerar uma contrapartida de recursos.

            Por outro lado, interesses conflitantes interferem tanto na boa administração dos negócios que não conseguimos separar os caras pálidas dos peles vermelhas. Certa vez uma índia americana, justificando porque não havia cassino na reserva dela, disse que o povo dela não sabia nem beber e nem administrar dinheiro. Respondia que isso não é uma exceção mas um regra geral prevalente até nas economias mas avançadas.

            Por exemplo, a Europa se encontra numa situação duplamente desequilibrada, pois além das dificuldades interna de cada membro da união, o desequilíbrio entre os parceiros é bastante acentuado. Nenhum pais conseguirá resolver os problemas que os afligem sem a participação dos parceiros comercias. Divertiram-se juntos mas não aprenderam a beber. E apesar da destreza nos negócios, não conseguiram aproveitar as oportunidades nem administrar bem os recursos que tinham. Essa crise seria uma boa oportunidade para reordenar e equilibrar o sistema econômico.

            A China começa a dá sinais de fraqueza porque os outros mercados, que compravam vorazmente o que ela produzia, não estão em condições de consumir, porque os ricos não sabem o que fazer com o dinheiro e os pobres não tem dinheiro pra fazer nada. A China terá que se voltar para o mercado interno pois crescer foi fácil comparado com a enorme tarefa de distribuir a renda. Para fazer isso, terá que elevar os rendimentos dos trabalhadores para que eles possam comprar aquilo que produzem. Mas isso só virá com uma reforma política pouco provável. Isto é, o desaquecimento da economia continuará por algum tempo ajudando a manter as outras economias em crescimento lento. A crise lá será muito parecida com a do Brasil nos anos oitenta e noventa. Sabíamos crescer, mas nunca aprendemos a distribuir a renda compatível com as necessidades do um crescimento sustentável.

            Houve um retrocesso muito grande na distribuição de renda de todos esses blocos. A falta de crescimento promovido pelos setores não governamental gerou uma enorme concentração financeira que se alimentava saprofiticamente do próprio sistema. À medida que o setor privado não era capaz de gerar emprego e promover a distribuição de renda, mas tinha dinheiro “sobrando” para emprestar aos governos, esses promoviam o crescimento gastando mais. Não havia problemas para o setor público crescer porque podia pagar juros gordos aos financistas. Estes, sendo bem pagos, fechavam os olhos para o avanço estatal e tentava ganhar mais via uma especulação sem limites. Agora, como sentem que o estado não tem como pagar o que deve, clamam pra que esse reduza os gastos nem que seja sacrificando os benefícios adquiridos pelos trabalhadores no setor produtivo.

            Todos países, até o Japão, que está lá quietinho a sombra da China, tem um endividamento gigantesco. Felizmente, quase toda a divida dele é interna. Esse não é o caso dos europeus, dos americanos e de muitos outros. Esses não podem dizer, tenho dívida mas tenho crédito.

            Quando o endividamento público dependia apenas dos financistas internos, o problema poderia ser resolvido localmente, mas atualmente a divida é globalizada. Antes, se tivéssemos uma divida de x quantia podíamos dizer que tínhamos um crédito de x quantia. A divida interna não era problema financeiro, apenas provocava cisões políticas passageiras. Entretanto, a crise atual está mostrando uma faceta mais complexa. Por exemplo, a dívida da Grécia não representa crédito local, mas de bancos estrangeiros. O mesmo com os americanos e outros mais.

             Na trajetória dos ajustes financeiros haverá, inexoravelmente, uma transformação na economia mundial. Atualmente todos devem a todos. E assim criou-se um ciclo vicioso do tipo – não poso pagar sem receber primeiro. A primeira fase desse ciclo a de – vamos negociar. A segunda será a de – não posso pagar. E por fim, haverá um perdão generalizado sob a força de uma inflação mundial. Todos rejeitam essa idéia, mas com o passar dos dias ela se torna cada vez mais plausível.

            Qual perigo e qual a oportunidade? O perigo maior é o dos governos se acomodarem. Neste caso, as economias só voltariam a crescer depois de anos de reajustes. O outro seria os governos promoverem o crescimento com aumento do meio circulante que provocaria uma inflação numa escala mundial. Infelizmente, este será o caminho mais provável. O desfecho de todas as crises tem sido a inflação. Ela foi sempre o método menos indolor para se perdoar dívidas, achatar salários, diminuir juros reais e pensões.

            A oportunidade pra quem produz, especialmente matéria-prima e alimentos continuará intocável porque as industrias e os consumidores continuarão comprando esses produtos. Entretanto, para quem procura alguns trocados no mercado financeiro, as opções são bem claras. As dividas tanto pública como privada continuarão a render muito pouco e ameaçar quem investe. E possivelmente, dependendo de nível de inflação, os rendimentos serão reduzidos e ficarão até negativos.

            Para aqueles que estão bem situados no mercado de ação terão mais dificuldades de ganhar com a valorização desses papeis mas levarão vantagem sobre os outros setores financeiros porque tem um leque muito mais amplo para escolher onde investir. No longo prazo, os investimentos ligado aos setores indispensáveis, por assim dizer, como as commodities, matéria-prima, alimentos e energia vão se beneficiando com a inflação. E muitos setores diminuirão significativamente a participação deles na economia.

            Todavia, para compensar os ganhos de longo prazo teremos que ser mais sistemáticos para aproveitar as mudanças na estrutura da economia. Muitos que não migraram os investimentos para os setores mencionados terão que operar com mais intensidade e administrar as carteiras de investimentos com um olho no mercado interno e outro no mercado externos. A crise é global, e não será resolvida isoladamente apenas por um ou dois países interessados.

Boa Sorte!
Prof. Metafix.

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ssppidder comentou:

Ótimo artigo. Estou bastante empolgado com o material do portal, bastante esclarecedor. A título de crítica gostaria de sugerir atenção do autor para algumas pequenas falhas na escrita.
1-Frase confusa: "A Grécia é uma pequena janela do que pode acontecer até com as maiores economias porque todas esticarem (seria: ESTICARAM?) o nível de despesas sem gerar uma contrapartida de recursos."
2-Incorreção gramatical: "A China começa a dá sinais..." Melhor usar DAR sinais...
3-Concordância: "...pelos setores não governamental gerou..."
A falta de cuidado ou os pecados da escrita apressada acabam por desviar a atenção do leitor, desestimulando-o.


 
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