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Uma Solução Inflacionária

Uma Solução Inflacionária

            "Não adianta levar o cavalo a fonte se ele não tem sede."
Ditado popular.
A bolsa de valores é um animal irrequieto. Sua variação de preço é uma incógnita que não revela o humor da espécie. Destarte, não podemos assumir riscos de brincar com um bicho de comportamento tão imprevisível. Vejam o caso do índice Dow Jones1. Este pulou e reagiu fortemente com a promessa do Fed2 em aumentar a oferta monetária comprando títulos hipotecários, mas alegria durou pouco. Agora continuamos no pendular movimento de sempre, sem avanço significativo pra um lado ou pra outro. Sem lamentar ou apupar as medidas do Fed, notamos apenas um momento eufórico de quem grita – navegar é preciso. Infelizmente, as circunstâncias não permitem política monetária efetiva. E a do Fed é apenas um paliativo. Entretanto, valeu a pena pelo efeito promissor. Temos que ser realista; é pouco o que Fed pode fazer mas, pelo menos, serve para provar que reza e chá ajudam os enfermos quando não existe outra alternativa.

            Como bom nordestino, aproveito a oportunidade para me colocar ao lado das rezadeiras que, sem remédios, sempre recomendam um bom chá e muito repouso antes de qualquer reza milagrosa. O presidente do Fed seguiu nossa tradição e prometeu duas coisas ao mesmo tempo; comprar títulos do governo e resgatar um pouco da dívida hipotecária. Agiu sensatamente dentro das circunstâncias políticas do momento. Na conjuntura atual, ele não tem remédio mais efetivo do que esse. Entretanto, ao injetar dinheiro na economia com duas medidas, além de rezadeira, deu uma de micro administrador. Foi ousado e avançou muito. Na falta de uma filosofia política concreta inovou a ser tão específico. Não poderia ir além do que fez, mas reconheceu que rezas passadas não servem aos males presente.

            Acredito que o presidente do Fed procurava uma oportunidade pra se livrar dos títulos podres que fediam nas prateleiras dos bancos. Talvez tenha errado, mas a assepsia foi muito boa para os bancos porque abre novas oportunidades no setor imobiliário. A questão é saber se a economia precisa de mais liquidez e se as pessoas estão dispostas a se endividar ainda mais.

            Enquanto a economia cambaleia por falta de oportunidades de negócios, a parte da sociedade que se beneficiou da especulação monetária, aos poucos também consegue se beneficiar dos problemas que ela criou. Wall Street3 continua no comando, mas a economia anda como um cavalo que nem pensa na fonte. Enquanto isso, os bancos e o governo insistem que a falta de liquidez seja o problema. Ora, se a taxa de juros nominais aproximando-se de zero, não gera empregos, como esperar que taxas negativas estimulem a economia? A força do ditado permanece; não adianta levar o cavalo a fonte se ele não tem sede.

            Somente os bancos e investidores do setor imobiliário, que ainda tem expectativa de que esses investimentos ganhem com a inflação, estão rindo da experiência. Isto é, quem tem muito dinheiro vai ganhar mais dinheiro com essas medidas. Infelizmente, o pequeno aplicador permanecerá no limbo aguardando boas oportunidades que só virão com um crescimento sustentável. Mas a economia vive de crendices e de emoções. O placebo vai durar enquanto o paciente acreditar.

            O que temos na economia americana e na Europa também é uma luta pela distribuição de renda camuflada de crise de liquidez. As autoridades monetárias americanas tem uma tarefa monumental de ajustar a política econômica diante de um governo paralisado por desentendimento políticos. Infelizmente, numa crise econômica, sempre que persiste discordância entre as partes, a inflação entra pela porta lateral da questão. O governo não pode diminuir os gastos e não pode aumentar os impostos. O banco central não pode quebrar o impasse e, sem alternativa, aumentará a liquidez além das necessidades da economia. Além disso, a medida é ousada pois não se deve injetar dinheiro numa economia sem uma contrapartida de algum ativo. Podem ri, mas os títulos hipotecários, que já perderam bastante valor, agora servem de lastro para o poderoso dólar americano! A contabilidade está perfeita, mas o resultado dos números vai distorcer os preços.

            Enquanto isso, os credores nadam em dinheiro, mas não querem emprestar a taxas zero, e não tem como perdoar a divida. A inflação virá como solução porque ela é um imposto indolor e, além disso, corrói a dívida, achata salários e pensões; mas dinamiza a economia. O capitalismo gosta de lucro nem que seja nominal. O Bernanke4 sabe disso e, aos poucos, conscientemente ou não, monetiza a dívida preparando o caminho para uma solução inflacionária que vai agradar as empresas e desprezar os assalariados.

            Com a maioria atolada em dívidas, o crédito mais fácil só atingirá apenas uma minoria a margem da economia. Mesmo assim, o estimulo monetário serve, pelo menos, pra manter o emprego num nível estável, mas jamais estimulará o crescimento até um patamar compatível com o pleno emprego. Esta é uma crise de endividamento entre consumidores e bancos credores que estão lotados de títulos podres. As firmas não foram atingidas por falta de recursos, pelo contrário, a crise pegou as empresas com bastante dinheiro em caixa. Estas não vão pedir crédito e, aos poucos, estão investindo em novas tecnologias que demandam quase ou nada em termos de emprego.

            Pouco se fala dos especuladores que tiveram enormes aumentos de riqueza com a desregulamentação do mercado na década anterior. Emprestaram e aplicaram principalmente em ativos especulativos, e agora desejam amortização das dívidas sem abrir mão dos altos rendimentos. Isto só vai acontecer com ajuda do banco central, mas pode durar pouco antes de outro impasse político. A crise é de distribuição de renda que não pode ser resolvida sem um acordo político. Destarte, a solução “natural”, diante do impasse político, é a inflação. Ela é o melhor remédio pra enxugar o excesso de liquidez e enganar os rentistas.

            A compra de títulos hipotecários é uma reza direcionada para criação de emprego no setor imobiliário, o único capaz de sobreviver os ataques inflacionários. Porém, o caminho é bem mais tortuoso e passa pela inflação que, assim como quimioterapia, cura o câncer mas pode destruir até as células boas do paciente. Em economia também tem muito a se fazer de conta. Por ora, vamos fingir mais um pouco de que as coisas vão bem, mas é bom não dormir, o paciente pode acordar com pesadelo. Ainda bem que temos boas rezadeiras; estas sabem que um bom chá e uma reza forte aliviam até as dores de corpo caído.

            Os europeus, apesar da resistência alemã, aos poucos, também vão se convencendo a monetizar mais a economia seguindo os passos dos americanos. Até o recatado Japão se dispôs a aumentar a liquidez pra derrubar o Iene e manter as exportações. Todos juntos por uma solução inflacionária. – Somos todos iguais nessa noite – como diz a musica de Ivan Lins. Há muita dívida a receber e pouco crédito a conceder. A questão principal, para quem investe em imóveis, ações ou renda fixa, é como trabalhar num cenário de pouco crescimento, e como se livrar dos aumentos de preços, que corroem os rendimentos dos títulos de dívidas pública e privada, perante um mercado de ações pouco promissor.

             Continuo a insistir com os colegas para administrar os portfólios como nuvens passageiras, aproveitando as chuvas de verão, isto é, as oportunidades de curtíssimo prazo até que os governos definam o que fazer para o futuro. Para aqueles que resistem a idéia do micro gerenciamento de ações, é bom se proteger com ativos a prova de inflação. Caso contrário, aproveitem e façam alinhamento dos movimentos de preço de ações no curtíssimos prazo com tendências de curto prazo também.

Boa Sorte!
Prof. Metafix



1     Índice de preço das ações das 30 maiores empresas negociadas na bolsa de valores de Nova York.
2     Fed = abreviação de Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos.
3     Rua onde se localiza a bolsa de Nova York, é reconhecida como o centro financeiro do país.
4     Presidente do Fed.
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Caio Ramos comentou:

Ótimo artigo. Recomendo. Um abraço.


 
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