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O Prêmio ao Risco

Professor Metafix

O Prêmio ao Risco
A depressão no preço das ações e o aumento no valor dos títulos da dívida pública.

Eureca, gritou Arquimedes ao descobrir como medir o volume de um objeto de tamanho ou formato irregular. Tenho impressão de que as coisas mais simples podem se transformar nas mais complexas porque, como Arquimedes, na nossa simplicidade inerente imaginamos viver num mundo complexo demais para ser entendido. Por outro lado, às vezes, demoramos compreender certos fenômenos porque rejeitamos aqueles que contrariam nossa visão, desejos e interesses, especialmente os que afetam nosso bolso diretamente.

A relação entre a rentabilidade das ações e o retorno dos títulos da dívida pública não é óbvia, mas é simples e importante demais para ser ignorada, especialmente nas crises financeiras. Ela ilustra duas coisas: nas crises, os investimentos migram para títulos do governo porque estes são mais seguros, embora menos rentáveis e, à medida que isso acontece o valor dos títulos aumenta e os juros diminuem. A migração entre os dois mercados e a dualidade entre retorno e preço dos títulos passam despercebidas até para os investidores profissionais porque eles também relutam em abandonar as aplicações que já foram bem lucrativas.

Em épocas de maior incerteza, os agentes econômicos, inclusive os bancos, optam pela segurança porque a dor da perda é mais intensa do que o prazer dos ganhos. Não queremos perder, e investimos em ações porque esperamos ganhar muito mais do que em outros tipos de aplicação. Mas o negócio exige flexibilidade, e não devemos perder a postura própria para trocar a rentabilidade pela segurança sempre que os sinais do mercado indicarem. Esse é o grande dilema de todos os dias que atormenta até os experientes apostadores da bolsa. A dúvida torna-se mais grave quando a crise se aprofunda e não abandonamos aqueles produtos que já demonstraram bons rendimentos. Infelizmente, quanto mais demoramos a tomar uma decisão, maior é a dor da perda. Sabemos disso, mas lutamos contra a realidade e ela demora a tomar seu devido lugar nas nossas mentes pesarosas. Enquanto isso, o velho ditado continua sendo verdadeiro – “o desempenho passado não garante bons frutos no futuro”.

Ultimamente, o preço dos títulos públicos e privados tem aumentado consideravelmente e, conseqüentemente, os rendimentos esperados de todos ativos já diminuíram bastante. A mecânica de compensar a queda nos rendimentos com aumento no preço é bastante conhecida, mas pouco compreendida. Mesmo aqueles que estão familiarizados com ela demoram aceita-la de bom agrado porque os rendimentos passados provocam uma esperança de continuidade futura. Mas não podemos esquecer de que o valor dos títulos públicos é um excelente indicador de como os agentes de negócios calculam o desempenho futuro da economia. A relação é simples, o valor aumenta, os rendimentos esperados caiem e o mercado se ajusta com a força dos pequenos tremores que abalam a economia. Apesar da demora em fazer os ajuste nas nossas mentes e bolso, os ávidos investidores se acalmam, especulam menos e sentem-se compelidos a pagar um prêmio pelos títulos do que arriscar em outros ativos com promessas de rendimentos maiores.

Vejam o que está acontecendo com a economia americana. À medida que os recursos abandonam o mercado de ações e migram para os títulos públicos, os preços destes aumentam e o valor das ações diminuem. No curto prazo, os recursos são fixos e, na medida em que eles abandonam o mercado de ações, a demanda por outros tipos de aplicação mais segura aumenta. A mecânica continua. -- na medida em que essa procura aumenta, eureca, os preços sobem! Portanto, a migração de recursos é, em parte, responsável pela queda nos preços das ações e pelo aumento no preço dos títulos da divida pública em, praticamente, todas economias do mundo.

A diferença entre a queda no preço das ações e no aumento no preço dos títulos é muito importante para quem investe em ações e para quem deseja conhecer um pouco dessa mecânica porque ela indica o que pode acontecer com a economia. Primeiro, ela demonstra a força da crise atual. Segundo, nunca os preços dos títulos subiram tanto como agora. E nunca os investidores relutaram tanto pra fazer essa migração porque não conseguem se desligar dos bons tempos no mercado de ação. Terceiro, quanto mais rápida e maior a migração mais dinâmico seria o ajuste entre o mercado de títulos públicos e o mercado de ações. A dinâmica do movimento preconiza um ajuste mais rápido para a economia e, portanto, uma crise mais curta do que esperada.

O mais fascinante desse ajuste é que até bem pouco tempo se temia que o governo americano encontrasse dificuldades para colocar títulos no mercado para financiar o deficit público. A crise resolveu o problema num passo de mágica! O dólar apreciou-se com bastante rapidez e os títulos subiram quase que na mesma proporção. Isso pôs por terra a sugestão alvissareira de que o dólar perderia a coroa da moeda mais importante, e a de que o governo dos estados Unidos estaria quebrado. Quem pensa assim é bom ir tirando o cavalo da chuva, pois quem pode pagar o que deve com a própria moeda se comporta como o dono do barracão que emite vales para os fregueses. Isso é uma maravilha, pois quanto maior a emissão de vales maior a demanda pelos produtos do barracão! Portanto, quanto maior a demando por dólares para liquidar compromissos internacionais, maior a demanda por títulos da dívida americana.

Paralelamente, muitos perguntam, onde o governo vai tirar os recursos para financiar os planos de recuperação da economia? A resposta é clara: até o momento, esses recursos vêm da colocação de títulos no mercado. O governo enxuga o mercado de dólares vendendo títulos aos agentes superavitários. Ao mesmo tempo que tira recursos deses agentes, ele empresta e financia atividades nos setores deficitários com os recursos que tirou do próprio mercado. Isto é, o governo não gera recursos, ele apenas ajusta os meios da economia enquanto a sociedade reluta em utilizar o que tem com medo da crise. Posteriormente, se o governo não conseguir aumentar a arrecadação, isto é, se os planos falharem, as medidas adotadas poderão provocar uma inflação, mas por ora isso não tem fundamentos.

A deflação é pior do que a inflação e se a última acontecer, os detentores de dólares correrão para os Estados Unidos a procura de outros ativos e novamente a economia seria aliviada com ajuda da moeda que flutua pelo mundo afora como se fosse vale de um barracão. Por ora, o que podemos dizer é que os dois mercados, o de ações e o de títulos do governo, estão se ajustando com bastante rapidez. Isso indica que a crise pode ser bem mais curta do que se imaginava. Quem se preparou para aproveitar a migração de recursos do mercado de ações para os títulos públicos conseguiu, pelo menos, manter o valor de suas aplicações.

No Brasil, essa oportunidade é bem mais ampla porque os títulos do governo são bastante rentáveis, mesmo quando o mercado de ação está em tendência de alta. As taxas de juros praticados são tão elevadas que permitem alguns viverem com poucos recursos como se fossem agiotas profissionais porque, misteriosamente, existe uma demanda insaciável por liquidez. Ela é tão grande que os agentes econômicos em outras economias não conseguem entender como se pagam juros tão elevados no Brasil. Essa peculiaridade da nossa economia apresenta uma oportunidade sem par para aqueles que não temem distribuir seus recursos entre o mercado de ação e o mercado de títulos. Aproveitem!

Professor Metafix

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COSLOP comentou:



Muito boa explicação para a possível duração da crise.
Muito boa racionlidade.
Obrigada.


 
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