A Correlação entre as Bolsas de Valores Análise Técnica Investimentos Bovespa: análise técnica, como investir na bolsa de valores (Bovespa)

A Correlação entre as Bolsas de Valores

Professor Metafix

 A Correlação entre as Bolsas de Valores
Uma Referência Mental

             No último artigo, escrevi sobre a corrida do dinheiro entre os ativos negociados nos mercados financeiros. O capital tende a se afastar dos riscos e se aproximar dos retornos porque é melhor ganhar pouco do que perder. Por "o que acontece em Tóquio ou Londres pode influenciar no mesmo dia os eventos em Nova York ou São Paulo" isso, a euforia ou depressão numa bolsa afeta as outras; isto é inevitável, pois as economias estão interligadas. A globalização e abertura dos mercados transformaram as economias herméticas em vasos comunicantes; o que acontece em Tóquio ou Londres pode influenciar no mesmo dia os eventos em Nova York ou São Paulo e vice versa.  

            O acompanhamento dos mercados permite a criação de um quadro de referência mental que facilita bastante o processo decisório. Isto é, o operador deve se inserir nos acontecimentos acompanhando o ritmo das bolsas como se vivesse por dentro do mundo dos negócios. É nessa onda que perceberemos o poder das relações econômicas internacionais. Embora, cada mercado tenha particularidades próprias, todos de uma forma ou outra influenciam aquela ação que gostaríamos de negociar.

            Portanto, não devemos, por exemplo, ignorar, sob pena de sofrer as consequências, o efeito positivo de uma alta em Tóquio ou de uma queda acentuada em Londres sobre o mercado brasileiro só porque estamos geograficamente distantes. As ondas de alta são como tsunamis que afetarão mercados longínquos de forma prevista no curtíssimo prazo. Isto porque as ações mais importantes da Bovespa são negociadas também em Nova York, e algumas em Londres e Tóquio. É desnecessário dizer, a não ser para dar ênfase a lição, que aqueles que ficarem mais atentos às relações e aos efeitos delas sobre o preço das ações poderão obter melhores resultados em suas jogadas.

            Às vezes, afirmo jocosamente, mas baseado num fundo de verdade, que o pregão da Bovespa começa as 10 horas da noite quando abre a bolsa de Tóquio! Uma boa puxada no Nikkei225 e em outros índices da região, já dá uma idéia de como será a tendência ou o viés que marcará os negócios no dia seguinte. Uma alta na Petrobras, por exemplo, durante o pré-pregão ou durante os negócios num desses mercados, refletirá no dia seguinte nas ações da Bovespa. Nem precisamos esperar para perceber que os preços oscilam com força ou fraquejam pendularmente em ondas que se propagam entre mercados. Acompanhar esses movimentos planejando as jogadas com antecedência é uma tarefa que precisamos enfrentar diariamente para melhorar o desempenho de nossas jogadas aos participantes do day tranding. Portanto, é fundamental ter alguma base factual para não cair na sarjetas dos prejuízos.

            O problema é bem mais simples do que imaginamos. Quando os mercados asiáticos abrem com muita força indicam duas coisas: uma reação ao que já aconteceu nos mercados do ocidente ou; uma mudança em função de algo que aconteceu no oriente depois que os mercados ocidentais fecharam. Se a alta na Ásia for muito forte provocará um surto de alta nos mercados da Europa e dos Estados Unidos. O mesmo acontece quando o mercado americano fecha em alta ou baixa. Este viés contaminará os mercados asiáticos e o nosso, como já sabemos. Destarte, não podemos evitar as forças de ação e de reação que se propagam entre os mercados. "o desempenho num mercado aponta para o viés do dia no nosso mercado e ajuda-nos planejar melhor o que devemos fazer" Lembrando sempre de que não há um determinismo absoluto sobre a direção dos preços a nível global, as mudanças num mercado são apenas indicações importantes do que pode acontecer nos outros. Apesar da falta de determinismo, o desempenho num mercado aponta para o viés do dia no nosso mercado e ajuda-nos planejar melhor o que devemos fazer.

            Para saber se o desempenho num mercado afetará o desempenho de outro deve-se verificar (1) a força do movimento e conferir (2) a direção da moeda americana. As moedas nacionais migram intermitentemente a procura de maiores rendimentos entre o Dólar americano, títulos de dívidas e ações de empresas domésticas. Assim, o dólar mantém uma relação inversa com outras moedas e ações. Os mercados se relacionam diretamente com a moeda local, exceto quando o governo altera a taxa de juros. Por exemplo, se o governo mantém a taxa de juro estável, aumento nas ações num determinado local reduz a procura por moeda estrangeira e o dólar cai em relação ao moeda nacional. Assim, temos que quando a média dos preços das ações na Bovespa sobe, o Dólar enfraquece e o Real se fortalece. Portanto, mantido a taxa de juros, quando o Dólar americano se aprecia no mercado internacional, as principais moedas depreciam-se e o preço das ações diminuem. Assim, temos uma propagação instantânea entre as ações via o condutor maior, o dólar americano, porque ele ainda é o principal meio de trocas internacionais e, por isso, usado temporariamente como reserva de valor.

            Destarte, as duas coisas, mudanças no valor do dólar e o desempenho de outros mercados influenciam a nossa bolsa. Quando os juros não se alteram ou não existem expectativas de mudanças, uma apreciação no dólar americano tem influência negativa sobre os mercados de ações. Uma queda forte nas bolsas da Ásia provoca quedas em outras bolsas que abrem mais tarde naquele dia e concomitantemente um aumento no dólar em relação as outras moedas. Se as bolsas não caírem como previsto, haverá, pelo menos, uma suavização da queda, ou falta de aumento naquele dia. Portanto, não faz mal ao operador verificar o desempenho das bolsas que abrem antes da Bovespa, mas não esquecer de que, às vezes, no decorrer do pregão pode haver mudanças contrárias porque as notícias importantes são divulgadas durante o nosso pregão e o da bolsa de Nova York. Se o mercado na Ásia e na Europa fecharem em alta muito fraca, qualquer notícia desanimadora pode derrubar as bolsas americanas.

            Além dessa observação, não faz mal verificar também o desempenho do índice Dow Jones dentro da primeira hora do pregão da bolsa de Nova York, e a relação entre o Dólar e o Euro é um bom indicador porque a mudança começa de madrugada, bem antes da Bovespa abrir. Esses dois indicadores resumem tudo e são fundamentais para entender o viés da bolsa daquele dia. Uma forte queda no Dólar, que deve corresponder a um aumento no Euro durante as primeiras horas dos pregões europeus, pode indicar aumento no preço das ações na Europa. Este aumento deve contaminar nosso mercado com mais força do que um aumento na Ásia isoladamente. Vamos ver por quê.

            Além da inter-relação entre mudanças nos valores dos ativos discutida no artigo anterior, sabemos que ações brasileiras são negociadas na bolsa de Tóquio, Londres e Nova York. Dado que estes mercados (exceto o de Nova York) abrem antes de nosso, eles funcionam como um pré-pregão para a Bovespa. E o pré-pregão em todos mercados sinalizam, sem a certeza desejada, o que pode acontecer durante o dia. Observar esses movimentos como um todo, ou somente naquelas ações que são negociadas fora do Brasil, como as ADS no mercado americano, permite o operador encarar o dia com mais humor e disposição porque o grau de incerteza diminui consideravelmente. Nada é garantido, mas entendendo como os mercados e os ativos se relacionam e, planejando de acordo com os acontecimentos, aumentam a segurança de quem opera. Essa tranquilidade é fundamental para quem investe em ações.

 Boa sorte! 
Professor. Metafix

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henderson comentou:

eu não sabia desse detalhe, usarei agora nas minhas operações, primeiro analisarei a bolsa de Tóquio e Londres, dependendo de como uma for, terei mais tranquilidade de avaliar minhas ações.(no simulador de bolsa, pq n tenho dinheiro ainda kkkk! mas ja serve!) muito obrigado professor! :)


 
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