A Guerra das Moedas e o Valor das Ações Análise Técnica Investimentos Bovespa: análise técnica, como investir na bolsa de valores (Bovespa)

A Guerra das Moedas e o Valor das Ações

Professor Metafix

A Guerra das Moedas e o Valor das Ações

Se você é um investidor do tipo casamenteiro; compra ações pensando no longo prazo, é bom prestar atenção ao que está acontecendo no curto prazo com a chamada guerra das moedas. Na crise atual, todos países desejam uma moeda desvalorizada para aumentar as exportações e melhorar o nível de emprego. Entretanto, os tradicionais importadores, como os Estados Unidos e a Europa, estão sofrendo pressão política no plano doméstico para reduzir déficits, aumentar as exportações e o nível de emprego. Todos estão preso pelo endividamento, a única solução seria uma desvalorização da moeda. Entretanto, além dessa medida provocar inflação, seria inócua se todos os parceiros de comércio decidirem fazer a mesma coisa.

O foco principal do conflito é a disputa entre o Dólar americano e o Iuane chines por causa do enorme deficit nas transações americanas e superávit da balança comercial chinesa. Nenhum país deseja depreciação da própria moeda e espera a desvalorização das outras. Porém, na ausência de um massivo aumento de produtividade para diminuir o custo das exportações, essa guerra vai ser prolongada porque nem os chineses nem os americanos estão dispostos a ceder. Se os fornecedores de moeda reserva não conseguem manter o dinheiro estável, talvez o mundo precisa de um novo acordo sobre moeda como os chineses vem exigindo algum tempo.

A solução seria possível se as economias chinesa e americana se aproximassem de um equilíbrio sustentável. As duas teriam que agir da seguinte maneira: a China precisa valorizar o Iuane (para importar mais ou exportar menos), e os Estados Unidos necessitam desvalorizar o dólar (para importar menos ou exportar mais). Entretanto, os chineses resistem. Eles sabem que essa medida poderia diminuir o ritmo de crescimento interno. Por outro lado, os americanos não aceitam porque precisam urgentemente aumentar as exportações, reduzir a dívida pública, diminuir o desequilíbrio na balança comercial e aumentar o emprego.

"Os pequenos investidores e, os grandes do mesmo modo, sentem o cheiro de pólvora e temem o efeito dessa peleja sobre o valor dos investimentos" É um conflito com balas de festim, mas pode mudar. Os pequenos investidores e, os grandes do mesmo modo, sentem o cheiro de pólvora e temem o efeito dessa peleja sobre o valor dos investimentos. Os chineses e outros governos temem uma depreciação da moeda americana porque a maioria das reservas internacionais deles é denominada em dólar. À medida que o dólar perde valor relativo, haveria uma corrida para trocá-lo por outras moedas ou por outros ativos financeiros.

Sem dúvida, o massivo montante de dólares acumulado nos “cofres” de muitos países, durante anos por causa do deficit na balança comercial americana, e superávit na balança de seus parceiros, é uma ameaça à carteira de investimento de qualquer investidor. À medida que o dólar perde valor, os aplicadores procuram ativos mais seguros, mesmo que sejam menos rentáveis, como a própria dívida americana. Ninguém quer um ativo, quer seja moeda ou outro qualquer, que perca valor no longo prazo.

A parte mais elusiva e sútil é o comportamento dos investidores. Por enquanto, há muita inquietação. O risco aponta para um elevado nível de volatilidade no mercado, e a incerteza provoca cautela, decisões apressadas e duvidosas. Enquanto isso, os recursos migram com intensidade entre ativos, temendo as balas perdidas do conflito, como impostos, controle de câmbio, restrições sobre importações e outras medidas esdruxulas que, não atingem o cerne do problema, mas causam danos colaterais em alguns setores. O centro da questão é o endividamento exagerado que segura os consumidores e o próprio governo.

Assim, de forma inesperada, podemos apontar os investidores em ações como vítimas involuntárias dessa guerra. "Assim, de forma inesperada, podemos apontar os investidores em ações como vítimas involuntárias dessa guerra" Como o dólar é a principal moeda de transação e de reservas internacionais, quando ele perde valor as outras moedas ficam mais valiosas. Isso aumenta o preço das exportações dos parceiros, em dólares, e torna os ativos interno deles mais atraentes. No caso brasileiro, as empresas que dependem do comércio internacional são as primeiras a sofrerem com a valorização relativa do Real ou com desvalorização relativa do dólar.

Como sabemos pouco e desconhecemos muito sobre as medidas futuras, precisamos ficar atentos e tomar algumas precauções. Sabemos que, se o dólar americano continuar perdendo valor no mercado internacional, ele migrará de volta para os Estados Unidos e para outros países onde é aceito na compra de ativos. Essa migração aumentará o valor das ações em muitas economias e especificamente daquelas companhias que produzem bens que podem ser exportados, ou usados como hedge ou garantias contra a inflação, como imóveis, metais preciosos, ações e commodities. Isto é, a moeda procura abrigo seguro em ativos e produtos que ganham com a inflação e não perdem valor com a depreciação. Novamente, poderemos ter um ganho relativo do setor financeiro em detrimento da produção.

Destarte, a guerra entre as moedas afetará o mercado de ações de forma desigual; os exportadores podem perder, mas as companhias que importam e produzem commodities e matérias primas tendem a lucrar. Resta saber se os ganhos de preço entre as commodities e as exportações serão suficientes pra compensar as perdas das exportações.

Concluímos o raciocínio perguntando, para onde vai o mercado de ações? A resposta é simples, embora a escolha seja complexa. Se o dólar americano cair, como promete, isso beneficiará o mercado de ações em geral, mas especificamente, e com mais intensidade, àquelas ações ligadas ao setor financeiro, aos que produzem commodities e metais preciosos. Por algum tempo, já sentimos uma relação inversa tímida entre o câmbio e o mercado de ações. Infelizmente, não podemos ver isso de forma direta todos os dias. Tem dias que a relação parece violar a regra, mas ao longo do tempo veremos o mercado de ações subir à medida que o dólar americano cai.

Notem que, apesar do secretário do tesouro americano negar que os Estados Unidos pretendam desvalorizar o dólar, as medidas recentes do FED, para aumentar a oferta de moeda, provocarão uma inflação, nem que seja moderada, nos Estados Unidos. Sem dúvida, a inflação americana diminuirá o valor do dólar, mas melhoraria a balança comercial e o nível de emprego interno deste país se os parceiros comercias não retaliarem. A relatividade econômica é gritante e visível pois, à medida que os chineses relutam em valorizar a moeda deles, os americanos provocam desvalorização no dólar por conta própria para diminuir o enorme desequilíbrio que persiste entre as duas economias. Isto afetará todas economias porque o dólar, pelo menos até agora, é a principal moeda de trocas internacionais.

"a inflação beneficia os devedores mas prejudica os credores e até aqueles que não devem,mas vivem de salário ou renda fixa" Tenho reiterado várias vezes entre amigos que a inflação sempre surgiu como solução para as crises de endividamento. O problema é que ela se transforma numa carga pesada para aqueles que vivem de salário e de renda fixa. Ela beneficia os devedores mas prejudica os credores e até aqueles que não devem,mas vivem de salário ou renda fixa. Apesar disso, se ela não for exagerada, pode dinamizar o consumo e a produção. Isto, sem dúvida, beneficiará indiretamente as ações também porque elas tendem a subir com os preços e com o crescimento do setor produtivo.

O problema do nosso mercado de ações é que as empresas mais dinâmicas estão ligadas ao setor exportador que sofrerá com a depreciação do Dólar e a relativa apreciação do Real. Entretanto, enquanto houver entrada livre de dólares no Brasil, a depreciação do dólar no mercado internacional e a relativa valorização do Real provocarão uma corrida de investimentos para ativos e produtos brasileiros como, imóveis, commodities, títulos da dívida pública e "Fiquem atentos e procurem diversificar suas carteiras dando mais peso às construtoras e empresas que produzem commodities, como minérios, energia, produtos agrícola e financeiro" ações. Fiquem atentos e procurem diversificar suas carteiras dando mais peso às construtoras e empresas que produzem commodities, como minérios, energia, produtos agrícola e financeiro.

Para aqueles, como eu, que trabalham com um horizonte muito curto, aconselho a ter cuidado e operar aproveitando as retrações curtas dentro das tendências de alta. Não opere contra a tendência, jamais. Mesmo nas jogadas de Day Trading respeite a direção do mercado e não fique imaginando que ele pode mudar. Isso é bobagem, pois ele muda à revelia de nossos desejos.

Veja que a tendência depende do tempo que você deseja operar. Em Day Trading aproveite as retrações em tendências curtas. Assim você poderá confirmar as retrações com um tempo menor. Uma boa retração dentro de uma tendência de alta dará lucros e ajuda a você desenvolver o hábito de ganhar. Os rendimentos serão tão pequenos por jogadas que, talvez, você terá que colocar mais capital em cada jogada para compensar o custo da corretagem e dá um pouco de lucro. Mas lembre-se de que lucros pequenos não quebram ninguém.

Boa sorte!
Prof. Metafix

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Gastavo A. Sousa comentou:

Ótimas dicas para quem se interessa pelo mercado de ações. Muitas só vieram a confirmar minhas táticas de investimento, o que me dá a certeza de estar trilhando o caminho certo, e muitas outras vieram para aprimorar os conhecimentos e tendências.


Roberto_Taveira comentou:

Bom o texto, porém não encontrei a data da publicação, ajudaria a compreender melhor o conceito.


 
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