Fundamentos ou Análise Técnica na Escolha de uma Ação Bovespa: InvestMax : análise técnica, como investir na bolsa de valores (Bovespa)

Fundamentos ou Análise Técnica na Escolha de uma Ação

Professor Metafix

Fundamentos ou Análise Técnica na Escolha de uma Ação

             O processo de escolher uma ação tem uma distinção duvidosa de ser bom ou ruim. A nossa formação religiosa cultural impede de se fazer uma avaliação isenta dos preconceitos que carregamos desde a infância. Por outro lado, os grafistas e fundamentalistas não se entendem. Certo é que, se alguém deseja ganhar dinheiro deve lidar com empresas e pessoas que tem dinheiro. Infelizmente, até nas escrituras sagradas está escrito que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Embora na atualidade o dinheiro tenha outra conotação, a visão atávica dos antigos ainda persiste. Naturalmente evitamos pensar em dinheiro na hora de analisar um empreendimento.

            Passo uma anedota pra esquentar os ânimos dos incrédulos. Um amigo meu encontrou o tio dele tomando uísque a beira da piscina no hotel Gloria, no Rio. Meu amigo reclamou – tio mas você não está falido? Estou, retrucou o tio, e acrescentou, desconfiando da censura do sobrinho – você acha que vou recuperar meu dinheiro tomando cachaça lá na favela? Isto confirma o ditado americano que diz – se você quer ganhar dinheiro tem de correr atrás dele. No mercado de ações não é diferente, você tem que ir atrás das empresas com bom fluxo de caixa e sólida base econômica!

            O objetivo de se escolher ação é ganhar dinheiro e ai os fundamentos da empresa tem que provar que ela tem dinheiro. Nesse sentido os fundamentos prevalecem porque mostram a solidez monetária de uma companhia. Por outro lado, análise técnica procura entender o movimento dos preços ao longo do tempo. Não vejo conflito entre esses dois conceitos. Porém, a briga entre analistas e fundamentalistas assume um tom sectarista desnecessário. O conflito apenas espelha o desconhecimento entre protagonistas que nem desconfiam de que o saber é bem mais barato do que ignorância.

"Devemos separar e prezar pela utilidade das duas modalidades de análise e não temer a raiz de todos os males"             Devemos separar e prezar pela utilidade das duas modalidades de análise e não temer a raiz de todos os males. Os fundamentos servem para determinar a qualidade de uma empresa; e a análise técnica para mostrar quando devemos comprar ou vender uma ação. Isto é, seria prudente determinar primeiro a qualidade financeira da empresa. Pois, ninguém, de bom agrado, gostaria de adquirir um pedaço de dívida ou ação de uma empresa em condições financeira duvidosa. Pode até aparecer boas oportunidades de se ganhar dinheiro com ações de empresas que são ruins, mas quando existem tantas boas por que aumentar o risco numa atividade que já é de alto risco? A esperança, de que uma empresa em dificuldades financeira pode melhorar, é como jogar esperando coroa de uma moeda viciada em mostrar mais caras.

            Já sabemos também que os preços variam muito ao longo do tempo e devemos ter cuidado para não comprar uma ação quando o preço está muito alto, próximo ou em cima de uma resistência. O velho ditado, de que devemos comprar na baixa e vender na alta, prevalece. Não podemos esquecer a simples lição de que suporte no gráfico indica baixa, e resistência significa alta! Isto faz sentido em todos negócios, quer seja na compra de ações, café, açúcar ou bananas. A análise técnica mostra com clareza onde estão os suportes e as resistências dentro de uma tendência de preços. Mas como esses pontos aprecem tanto em empresas boas como ruins, é prudente se agarrar nas melhores examinando os fundamentos delas.

            Talvez fosse desnecessário falar de fundamentos porque a maioria dos investidores já trabalha com ações de qualidade. Por exemplo, a grande maioria das ações brasileiras que compõe o índice Bovespa é de empresas sólidas que gozam de alguma vantagem comparativa. Elas estão parcialmente blindadas contra o risco da concorrência, ameaças de novatos e, além disso, se localizam nos setores mais dinâmicos da economia brasileira.

            Mesmo assim, caso os dados sejam disponíveis, não faz mal entender e examinar algumas das varáveis fundamentais que determinam a qualidade dessas empresas. Exemplifiquemos com alguns parâmetros, tais como: 1) fluxo de caixa; 2) nível de endividamento; 3) relação preço lucro; 4) rentabilidade por ação; 5) fatia de mercado; 6) volume de negócios e 7) algo intangível, como marcas, patentes e poder de monopólio.

            O fluxo de caixa e o nível de endividamento são importantes porque estão interligados. Particularmente, gosto do fluxo de caixa porque a viabilidade de todo projeto ou continuidade de qualquer atividade depende da entrada e saída de recursos. O “excesso” de caixa dá liberdade para administração aumentar os dividendos, reinvestir em novas atividades ou projetos e se precaver contra movimentos adversos. O endividamento em relação ao patrimônio da empresa deprime o valor, consome dinheiro e tem efeito contrário do fluxo de caixa.

            Caso possa combinar outras variáveis, é importante verificar o retorno por ação. Se uma empresa, por exemplo, mostra um retorno de $1 real por ação, mas esta vale $20 reais, o preço está muito alto. Alguém estaria comprando algo que daria teoricamente apenas 5 por cento de retorno (1/20)! Espere o preço recuar ou o retorno aumentar porque o p/l ou preço lucro indica uma das relações mais importante. Se a razão preço lucro for muito alta, ela indica que: o preço está muito elevado, ou o lucro por ação é muito baixo, ou ainda uma combinação dessas duas coisas. Por isso, é necessário examinar os dois itens em separados para não se enganar.

            Antes dessa crise recente, quando os preços estavam subindo muito rápido, muitos investidores ignoraram essa relação e aumentaram os riscos por simples ganância. Agora estão cautelosos! Aprenderam que é bem melhor começar com um p/l baixo e sair com ele em alta do que se arriscar comprando ações de p/l alto na vã esperança que o preço pode subir ainda mais.

            O volume de negócios diário é muito importante também, especialmente para quem opera no curtíssimo prazo. Volume elevado garante pelo menos duas coisas: liquidez e blindagem contra as tentativas de “corners”. Estes, mesmo quando não são bem sucedidos, podem dar bastante aborrecimentos e prejuízo aos investidores no curto prazo.

            O dinamismo da economia, do setor e de áreas especificas são também importantes. Mas estes fazem parte das condições econômicas que deixarei para uma nota futura. Mesmo assim, a questão é simples, os setores da economia avançam em etapas distintas. Entendendo quais os setores são mais dinâmicos contribui bastante para a escolha de uma ou mais ações.

            Por fim, mas sem nem chegar perto de exaurir todos os parâmetros fundamentais, considero a fatia do mercado e os intangíveis importantes. Empresas com algum poder de monopólio, como as de produção e distribuição de energia, são bastante sólidas. Isto não quer dizer que sejam as melhores para se operar. Entretanto, elas oferecem oportunidades de bons retornos no longo prazo com baixo risco de falência. O lucro por ação pode crescer ainda mais se o investidor conseguir aproveitar os movimentos de alta e baixa que ocorrem naturalmente no preço das ações ao longo do tempo.

            Termino com uma indicação. Existe um “site” na internet chamado, finviz. Ele é bastante útil para aqueles que desejarem escolher ações utilizando parâmetros técnicos e fundamentais. O link é este: www.finviz.com. Este “site” tem um banco de dados fantástico! Infelizmente, o finviz não cobre toas ações brasileiras. Ele mostra apenas as adr que são negociadas nos Estados Unidos.

            No finviz existe de tudo. Entre no screener e faça um teste. Ali, o leitor pode escolher o que quiser. Note que à medida que se modifica os parâmetros no screener, o programa altera o número de ações que atendem aqueles requisitos. Além disso, apresenta um gráfico da ação com um toque do mouse. Nunca foi tão fácil assim! Aproveite e boa sorte!

Professor Metafix.

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Jasom Alcantara comentou:

Olá Professor. É meu primeiro dia de acesso ao site e já tenho tirado muito proveito de alguns artigos que li. São ótimos, realmente, e quero parabenizá-lo pelo trabalho. É mesmo fantástico esse mundo de investimentos na bolsa de valores. Quero também me valer da oportunidade para fazer mais outra observação: Em momento algum, a Bíblia Sagrada afirma que o "dinheiro é a raiz de todos os males", como você escreveu. Ela, antes, afirma que o AMOR do dinheiro é a rais de todos os males, como também ensina, sabiamentes e indiretamente, o MAX GUNTHER, em seu grandioso livro "OS AXIOMAS DE ZURIQUE", quando aborda o tema do perigo da GANÂNCIA na vida de um INVESTIDOR, que aliás, recomendo a leitura aos leitores do Site.
Um grande abraço. Qualquer dúvida, leia 1 Timóteo 6:10.


Ricardo Firmino comentou:

Parabéns!!! Esclarecimentos fantásticos!!!


 
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