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O Cassino e a Bolsa de valores

Professor Metafix

O Cassino e a Bolsa de valores

"Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu." F. Pessoa Existe uma discussão acirrada entre aqueles que acreditam que a bolsa de valores é um cassino, e os que acham que não. A verdade é que tanto a bolsa como o cassino são bem parecidos por dois motivos; ambos trabalham com probabilidade, e os dois provocam transferência de renda entre os parceiros de negócio. Entretanto, as semelhanças terminam por ai, e prefiro tratar das diferenças. Tentarei esclarecer alguns pontos sem discutir a importância dessas atividades. Ensejo apenas que o leitor, após examinar a questão, sinta-se mais à vontade para decidir qual atividade é digna do seu dinheiro.

O cassino é um jogo de soma zero. Isto é, quando alguém ganha o cassino perde e vice versa. É um sistema de distribuição de renda sem produção. O dinheiro apenas circula entre jogadores e o cassino, sem deixar qualquer resíduo produtivo. A bolsa tem este aspecto somente quando os aplicadores compram e vendem ações depois do lançamento inicial. Isto é, depois que a firma capta os recurso para investir. Depois do lançamento inicial das ações pela empresa, existe uma corrida de compra e venda entre os detentores desses papeis. Essas transações representam, em parte, uma tentativa para controlar o capital investido e um desejo de se ganhar na valorização dos papeis.

Segundo, na bolsa podemos ganhar de duas formas, no curto prazo, quando o valor das ações muda; e no longo prazo, com os dividendos e aumento de preço. No curto prazo, os lucros são parecidos com os ganhos dos cassino. Porém, quem investe no longo prazo, e não está preocupado com as variações de preços dos papeis, terá sempre um ganho residual além da valorização das ações. Na média, o ganho residual equivale os ganhos de produtividade da empresa. A média dos lucros das ações no longo prazo não pode ser maior do que a produtividade média da economia. Isto é, embora não seja muito, os investidores que trabalham com um horizonte mais longo, ganham com a valorização das ações e com a distribuição dos lucros em forma de dividendos. Isto não acontece nos cassinos.

Terceiro, as atividades do cassino são de cartas marcadas; o jogador sabe que a probabilidade favorece os donos do cassino. Nessas instituições, independente do tempo da jogada, há uma transferência pura entre jogadores e, especificamente, entre eles e o cassino. Mas o cassino não deixa nenhum resíduo oriundo da produção porque os ganhos não entram no setor produtivo, apenas circula no próprio cassino para enriquecimento dos donos. Se os jogadores desaparecessem o cassino fecharia as portas. Na bolsa isso não acontece; as firmas continuariam produzindo e os aplicadores trocando papeis sem intermediação das corretoras. O capital original, levantados com o lançamento inicial das ações, fica empregado na produção independente das jogadas temporárias entre os aplicadores.

A probabilidade de se ganhar ou perder no cassino e na bolsa é bastante diferente também. No cassino ela é inflexível. O cassino programa tudo pra que ele tenha a maior chance de ganhar. Por exemplo, dependendo do sistema tributário e de outras regras impostas pelas autoridades de cada país, o cassino pode estabelecer uma probabilidade favorável a ele de mais de 90 por cento. Portanto, o jogador fica com apenas 10 por cento! Isto é, no longo prazo, ele pode perder 90 por cento das vezes. Os jogadores no cassino esquecem disso porque de vez em quando alguém ganha um bolão. Isso é raro mas funciona como uma isca pra atrair mais jogadores.

 Ganhar de vez em quando é um evento natural tanto na bolsa como no cassino. Mesmo quando a probabilidade é pequena, um evento não esperado pode acontecer em qualquer atividade. Isto contraria a expectativa e dá a impressão de que os dois são iguais. Os ganhos aleatórios e esporádicos são eventos raros e, como tais, tem grande impacto sobre o emocional dos jogadores. Na verdade, isto deve ser entendido como algo inesperado e fora do comum, uma maneira de violar a regra dos grandes números. Toda probabilidade é baseada na lei dos grandes números. Isto é, ela se realiza quando jogamos infinitas vezes. Portanto, não é possível controlar eventos raros e inesperados. Probabilidade não é certeza e devemos estar preparados para aproveitar as mudanças provocadas pelo acaso.

E qual a probabilidade na bolsa? Esta é pergunta que todos aplicadores deveriam fazer antes de investir. Excluindo os ganhos de produtividade que é uma certeza, a probabilidade de se ganhar no curto prazo é de 50 por cento, bem maior do que os 10% do cassino. Destarte, pode acontecer que alguém perca na bolsa e ganhe no cassino. Assim, na bolsa ou no cassino, não podemos evitar que eventos raros aconteçam, mas podemos mudar o peso da probabilidade a nosso favor. Além disso, na bolsa podemos controlar os riscos e operar somente quando as condições são favoráveis. O cassino não dá essa oportunidade porque ele não é neutro como a bolsa de valores. No cassino não existe momentos bons ou ruins, eles são todos iguais.

Além das chances de se ganhar na bolsa ser bem maior do que no cassino, o aplicador na bolsa pode modificar o peso da probabilidade a seu favor tanto no curto como no longo prazo, aproveitando para operar somente nos melhores momentos. Estes são facilmente identificados pelos gráficos dos preços e pelos movimentos das bolsas no mundo inteiro. Os resultados dos pregões das bolsas estão disponível diariamente na Internet.

Se o aplicador jogasse na bolsa de olhos fechados todos os dias, por um período muito longo, teria uma chance de ganhar 50 por cento das vezes. Entretanto, ninguém faz isso. Para ganhar mais podemos sistematizar as jogadas para aproveitar os momentos favoráveis. Aplicadores mais espertos, que estão bem informados e se controlam melhor, ganham dos apressados que aplicam o dinheiro como se a bolsa fosse um cassino. Como a bolsa, por natureza, é neutra, o próprio aplicador a transforma num cassino jogando de qualquer jeito. Esta é a melhor receita pra ter prejuízo de qualquer jeito também.

Para aqueles que não desejam arriscar muito e preferem ganhar de forma consistente com dividendos e com a eventual valorização das ações, recomendam-se investimentos de longa duração em empresa de qualidade reconhecida. Os aplicadores devem procurar também ações de boas empresas em setores que estão crescendo mais do que os outros. O problema na bolsa não é apenas ganhar, mas ganhar acima da média ou do valor esperado de longo prazo. Isto se consegue de duas formas; escolhendo ações de empresas boas em setores mais dinâmicos da economia e administrando as jogadas com mais frequência, substituindo ações de baixa qualidade com ações melhores. 

Destarte, o aplicador na bolsa pode ganhar de duas maneiras; no longo prazo porque o viés da bolsa é de alta e no curto prazo pela força da diligência pessoal. Ganhar no longo prazo não tem mistérios. Os ganhos são garantidos pelo viés de alta do mercado, pela produtividade da empresa e da economia. O problema está no curto prazo, quando muitos aplicadores, talvez a grande maioria, operam apressados, precipitam-se nas jogadas sem controle dos riscos como se a bolsa fosse um cassino.

Em toda atividade humana há riscos de se perder ou sorte de se ganhar, mas nas atividades tipo cassino a diligência e o esforço humano não são recompensados como são na economia produtiva. Destarte, na bolsa de valores, apesar da sorte ou azar como em qualquer outra atividade, os aplicadores tem o poder de alterar o volume da sorte e de afastar a intensidade do azar, administrando os riscos. Assim, como podemos alterar nosso destino administrando a vida e controlando os riscos, podemos fazer o mesmo com os nossos negócios em qualquer atividade.

Controlar e administrar o risco são problemas que atormentam todos aplicadores. Aqueles com baixa inteligência emocional e que não tem autocontrole, e nem sistematiza a administração pessoal, não podem controlar o risco de seus negócios. Para estes, a bolsa sempre será um cassino.

Lembre-se de que a consciência nos transforma em covardes, como disse Shakespeare. Se não reconhecemos os perigos e não temos paciência para aguardar as oportunidades, até a bolsa de valores se transforma num cassino.

Boa Sorte!
Prof. Metafix  

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Rogério comentou:

Caro professor Metafix! Mais um texto excelente, de conteúdo, que leio esta noite. Só lamento que eu tenha me identificado com a personagem principal do texto: o jogador...
Entretanto, se eu puder tirar, também deste, uma lição de vida, haverá o dia em que rirei deste meu árduo começo com a bolsa de valores. De preferência colhendo os frutos da DISCIPLINA.
Mais uma vez lhe agradeço pelas palavras. Transformar-me-hei num leitor assíduo.
Forte abraço!


 
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